Brasília, Cinco e Meia

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É um orgulho ser brasiliense. Nascer na capital onde uma legião de brasileiros se mistura em cores, raças, sotaques e sabores. É um privilégio morar em Brasília. E viver nas asas de um sonho pilotado por JK, traçado por Costa e arquitetado por Niemeyer… Tudo em concreto, aço e suor candango.

Passeio por ruas sem nomes e sem esquinas. E corto o horizonte numa tesourinha. Entre diminutos e aumentativos, tudo é superlativo do Catetinho ao Eixão, da Igrejinha ao Minhocão, do pedalinho ao Pontão. Por entre os cobogós, espiam-se os vizinhos. Alguns velhos conhecidos já se foram, outros andam lentamente de bengalas. Há quem se lembre de mim quando criança. Brincando debaixo dos pilotis e no descampado de terra vermelha e árvores tortas.

Onde pipas dançavam entre nuvens e a gente corria de camelo. Mas, a nova geração também vai redescobrindo Brasília. Ocupando a cidade com suas cangas num picnic, com suas rodas nas ciclovias, com suas intervenções urbanas nas paredes caretas.

Brasília, cinco e meia. A cidade ainda dorme. Mas, eu acordo com a cantiga madrigal dos passarinhos. Vislumbro as primeiras aquarelas fantásticas se desenharem na alvorada. Entre siglas e números, faço o meu caminho. E já não conto os meus passos, porque os nossos dias serão para sempre.

Akio Watanabe, 21/4/2016

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